A Teoria do Produtor e o Equilíbrio Competitivo
Objetivo: Compreender como as empresas transformam inputs em output, a diferença entre curto e longo prazo, e as propriedades da função de produção.
Uma unidade produtiva contrata inputs no mercado de fatores e, usando uma tecnologia, transforma-os em output.
São escolhas da empresa:
\[F(K,L)=Q \quad \text{(Função de Produção)}\]
Relação entre quantidade de inputs e quantidade de output que a partir deles se obtém, dada uma tecnologia.
\[CT = C(Q) \quad \text{(Função de Custos)}\]
Relação entre custos de contratação de inputs e quantidade de output produzido, dada uma tecnologia.
Uma função de produção mostra o produto máximo que se pode obter através de combinações alternativas de fatores produtivos, dada uma certa tecnologia.
Pressupõe-se eficiência na utilização de recursos.
Notação: \(F(K,L) = Q\), em que \(K\) é o capital e \(L\) é o trabalho.
O Curto Prazo é um período de tempo suficientemente curto para que a empresa não consiga modificar a quantidade contratada de, pelo menos, um fator produtivo (fator fixo).
Normalmente, considera-se que o Capital (\(K\)) está fixo a curto prazo.
O Longo Prazo é um período de tempo suficientemente longo para que a quantidade contratada de todos os fatores produtivos possa ser alterada.
Longo Prazo e Curto Prazo são apenas conceitos.
A duração necessária depende do setor de atividade.
Um mês pode ser suficiente para substituir toda a maquinaria de uma fábrica têxtil, mas não para o fazer numa fábrica de microcomponentes eletrónicos. O “longo prazo” pode demorar mais nalguns setores do que noutros.
| Curto Prazo | Longo Prazo | |
|---|---|---|
| Capital (\(K\)) | Fixo (\(\bar{K}\)) | Variável |
| Trabalho (\(L\)) | Variável | Variável |
Nos modelos seguintes, considera-se \(L\) variável e \(K\) fixo a curto prazo: \[F(\bar{K}, L) = f(L) \quad \text{(curva de produto total)}\]
Traduz a forma como a produção se altera (\(\Delta Q\)) quando o input variável se altera (\(\Delta L\)):
\[Pmg = MPL = \frac{\Delta Q}{\Delta L}\]
É a variação do produto total quando se adiciona uma unidade adicional de trabalho, cæteris paribus (mantendo \(K\) constante).
É a quantidade produzida, em média, por cada unidade de trabalho contratada:
\[PMe = APL = \frac{Q}{L}\]
Uma “unidade de trabalho” pode ser uma pessoa, grupos de pessoas, ou uma unidade de tempo (horas, dias…).
| \(L\) | \(F(K,L)\) | \(APL\) | \(MPL\) |
|---|---|---|---|
| 0 | 0 | — | — |
| 1 | 4 | 4.00 | 4 |
| 2 | 14 | 7.00 | 10 |
| 3 | 27 | 9.00 | 13 |
| 4 | 43 | 10.75 | 16 |
| 5 | 58 | 11.60 | 15 |
| 6 | 72 | 12.00 | 14 |
| 7 | 81 | 11.57 | 9 |
| 8 | 86 | 10.75 | 5 |
| 9 | 86 | 9.56 | 0 |
| 10 | 78 | 7.80 | \(-8\) |
| Etapa | Intervalo | Característica |
|---|---|---|
| I | \([0,\, Q_1]\) | \(MPL > APL\); APL crescente |
| II | \([Q_1,\, Q_{max}]\) | \(MPL < APL\); APL decrescente; \(MPL \geq 0\) |
| III | \(Q > Q_{max}\) | \(MPL < 0\); produção decresce |
A Zona Económica de Exploração é a Etapa II — é aqui que se situam as escolhas ótimas de produção.
Funções de produção podem ter formas analíticas muito diversas:
Cada expressão representa um diferente modelo de tecnologia.
Um aumento de \(K\) expande a curva de produto total — efeito análogo ao de um progresso tecnológico.
1. A empresa A tem a função \(Q = K^{0.5}L^{0.5}\) e a empresa B tem \(Q = KL\). A curto prazo (\(K=4\)):
Solução: A (\(K=4\)): \(Q=2L^{0.5}\), \(MPL = L^{-0.5}\) → decresce com \(L\). B (\(K=4\)): \(Q=4L\), \(MPL = 4\) → constante. Resposta: c).
2. Qual das seguintes afirmações sobre a Zona Económica de Exploração é correta?
Solução: b), por definição.
Enunciado: Considere a função de produção \(Q = -KL^3 + 30K^2L^2 + 10L\), com \(K=1\) fixo.
Calcule \(MPL\) e \(APL\). A partir de que valor de \(L\) se verificam rendimentos marginais decrescentes?
Delimite as três etapas do processo produtivo e identifique a Zona Económica de Exploração.
\[MPL = \frac{dQ}{dL} = -3L^2 + 60L + 10\]
\[APL = \frac{Q}{L} = -L^2 + 30L + 10\]
Rendimentos marginais decrescentes quando \(\frac{d(MPL)}{dL} < 0\): \[\frac{d(MPL)}{dL} = -6L + 60 = 0 \Rightarrow L = 10\]
Para \(L > 10\): rendimentos marginais decrescentes.
Etapa I → II: \(MPL = APL\)
\[-3L^2 + 60L + 10 = -L^2 + 30L + 10\] \[-2L^2 + 30L = 0 \Rightarrow L(-2L + 30) = 0 \Rightarrow L = 15\]
Etapa II → III: \(MPL = 0\)
\[-3L^2 + 60L + 10 = 0 \Rightarrow L \approx 20.16\]
| Etapa | Intervalo em \(L\) |
|---|---|
| I | \([0,\; 15[\) |
| II (Zona Econ.) | \([15,\; 20.16]\) |
| III | \(]20.16,\; +\infty[\) |
Objetivo: Identificar as três etapas do processo produtivo, compreender a Zona Económica de Exploração, e derivar a Lei da Contratação como condição ótima do produtor.
A curto prazo, com \(K = \bar{K}\) fixo e \(L\) variável:
\[MPL = \frac{\Delta Q}{\Delta L} \qquad APL = \frac{Q}{L}\]
Relação fundamental entre as duas medidas:
Intervalo: \(L \in [0,\, L_1[\) onde \(L_1\) é o ponto em que \(MPL = APL\)
A empresa não se deve fixar na Etapa I — está a produzir abaixo do ótimo técnico, onde a produtividade média ainda pode aumentar.
Intervalo: \(L \in [L_1,\, L_{max}]\) onde \(MPL = APL\) até \(MPL = 0\)
A Zona Económica de Exploração coincide com a Etapa II: entre o ótimo técnico (\(Q_1\), máximo de \(APL\)) e o máximo de produção (\(Q_{max}\), \(MPL = 0\)).
Intervalo: \(L > L_{max}\) onde \(MPL = 0\)
Nenhuma empresa racional opera na Etapa III — estaria a pagar trabalhadores para reduzir a sua produção.
| Etapa | Intervalo (L) | MPL | APL | Output |
|---|---|---|---|---|
| I | \([0,\; L_1[\) | \(> APL\) | crescente | crescente |
| II (ZEE) | \([L_1,\; L_{max}]\) | \(\geq 0\), \(< APL\) | decrescente | crescente |
| III | \(]L_{max},\; +\infty[\) | \(< 0\) | decrescente | decrescente |
ZEE = Zona Económica de Exploração → Etapa II: onde o produtor racional opera.
| \(L\) | \(Q=F(K,L)\) | \(APL\) | \(MPL\) | Etapa |
|---|---|---|---|---|
| 0 | 0 | — | — | |
| 1 | 4 | 4.00 | 4 | I |
| 2 | 14 | 7.00 | 10 | I |
| 3 | 27 | 9.00 | 13 | I |
| 4 | 43 | 10.75 | 16 | I (máx MPL) |
| 5 | 58 | 11.60 | 15 | I |
| 6 | 72 | 12.00 | 14 | II (ótimo técnico: APL máx) |
| 7 | 81 | 11.57 | 9 | II |
| 8 | 86 | 10.75 | 5 | II |
| 9 | 86 | 9.56 | 0 | II→III (\(Q_{max}\)) |
| 10 | 78 | 7.80 | \(-8\) | III |
Nota: a tabela usa valores arredondados para ilustração; os pontos de fronteira exatos são calculados analiticamente.
A empresa quer maximizar:
\[\Pi = \underbrace{P \times Q}_{\text{Receita Total}} - \underbrace{W \times L}_{\text{Custo Variável}} - \underbrace{r \times \bar{K}}_{\text{Custo Fixo}}\]
A curto prazo, \(K\) é fixo. A variável de controlo é \(L\). Maximizar \(\Pi\) em ordem a \(L\):
\[\frac{\partial \Pi}{\partial L} = 0\]
\[\frac{\partial \Pi}{\partial L} = P \cdot \frac{\partial Q}{\partial L} - W = 0\]
Ou seja: \[P \cdot MPL = W\]
Lei da Contratação: A empresa deve contratar trabalho até ao ponto em que o valor do produto marginal do trabalho (\(P \times MPL\)) iguala o salário (\(W\)).
\[\underbrace{P \times MPL}_{\text{Benefício Marginal de contratar L}} = \underbrace{W}_{\text{Custo Marginal de contratar L}}\]
É a aplicação direta do princípio Cmg = Bmg ao mercado de fatores!
Dados: \(Q = K^{0.5}L^{0.5}\), \(\bar{K} = 100\), \(P = 10\), \(W = 20\)
A curto prazo: \(Q = 10L^{0.5}\)
\(MPL = \frac{dQ}{dL} = 5 L^{-0.5}\)
Condição ótima: \(P \cdot MPL = W\)
\[10 \times 5L^{-0.5} = 20\] \[50 L^{-0.5} = 20 \implies L^{0.5} = \frac{50}{20} = 2.5 \implies L^* = 6.25\]
Output ótimo: \(Q^* = 10 \times \sqrt{6.25} = 10 \times 2.5 = 25\)
Da condição ótima \(P \cdot MPL = W\), podemos escrever:
\[MPL = \frac{W}{P}\]
Esta expressão diz-nos que o produto marginal do trabalho na escolha ótima é igual ao salário real \(W/P\).
Trabalhadores mais produtivos (maior \(MPL\)) justificam salários mais elevados — ou, a preços mais altos, justifica-se contratar mais trabalho. A Lei da Contratação liga diretamente produtividade e remuneração.
A curva \(P \cdot MPL\) é decrescente (por causa dos rendimentos marginais decrescentes). A empresa contrata \(L^*\) onde essa curva cruza o salário \(W\).
1. Uma empresa tem \(Q = 4L^{0.5}\), \(P = 5\) e \(W = 10\). Qual a quantidade ótima de trabalho a contratar?
Solução: A \(MPL = 2L^{-0.5}\). Lei da contratação: \(P \cdot MPL = W \Rightarrow 5 \times 2L^{-0.5} = 10 \Rightarrow L^{-0.5} = 1 \Rightarrow L^* = 1\).
2. A empresa está a operar com \(P \cdot MPL > W\). O que deve fazer para maximizar o lucro?
Solução: C Se \(P \cdot MPL > W\), cada trabalhador adicional gera mais receita do que custa. A empresa deve contratar mais até \(P \cdot MPL = W\).
Enunciado: A empresa ALFA tem a função de produção \(Q = -KL^3 + 12L^2 + 60LK^3\), com \(K=1\) fixo. O preço de venda é \(P = 2\) u.m. e o salário unitário é \(W = 168\) u.m.
Calcule \(MPL\) e \(APL\). Delimite as três etapas do processo produtivo.
Aplique a Lei da Contratação para encontrar \(L^*\) e \(Q^*\).
Verifique que \(L^*\) se encontra na Zona Económica de Exploração.
\[MPL = -3L^2 + 24L + 60\] \[APL = -L^2 + 12L + 60\]
Etapa I → II (\(MPL = APL\)): \[-3L^2 + 24L + 60 = -L^2 + 12L + 60 \implies -2L^2 + 12L = 0 \implies L_1 = 6\]
Etapa II → III (\(MPL = 0\)): \[-3L^2 + 24L + 60 = 0 \implies (L-10)(L+2) = 0 \implies L_{max} = 10\]
| Etapa | Intervalo |
|---|---|
| I | \([0,\; 6[\) |
| II (ZEE) | \([6,\; 10]\) |
| III | \(]10,\; +\infty[\) |
Lei da Contratação: \(P \cdot MPL = W\)
\[2 \times (-3L^2 + 24L + 60) = 168\] \[-3L^2 + 24L + 60 = 84\] \[-3L^2 + 24L - 24 = 0 \implies L^2 - 8L + 8 = 0\] \[L = \frac{8 \pm \sqrt{64 - 32}}{2} = \frac{8 \pm \sqrt{32}}{2} = 4 \pm 2\sqrt{2}\]
\(L_1 = 4 - 2\sqrt{2} \approx 1.17\) (Etapa I — não é ótimo)
\(L_2 = 4 + 2\sqrt{2} \approx 6.83\) (Etapa II ✓)
\(L^* \approx 6.83\); \(Q^* = -(6.83)^3 + 12(6.83)^2 + 60(6.83) \approx 650.8\) u.
\(L^* \approx 6.83 \in [6, 10]\) → está na ZEE ✓
Objetivo: Derivar e interpretar as componentes da função de custos a curto prazo — fixo, variável, médio e marginal — e compreender as suas relações geométricas e analíticas.
O objetivo da empresa é maximizar o lucro:
\[\Pi = \text{Receitas Totais} - \text{Custos Totais}\]
Para isso, é necessário conhecer a função de custos: como variam os custos com o nível de produção \(Q\).
A curto prazo, com \(K\) fixo e \(L\) variável, os custos dividem-se em duas componentes muito distintas.
\[CT = C(Q) = CF + CV(Q)\]
\(CV(0) = 0\) — se não se produz nada, não se contrata trabalho. Mas \(CF > 0\) mesmo com \(Q = 0\).
Dados: custo de \(K\) instalado \(= 60\); salário por unidade de \(L\) \(= 250\)
| \(L\) | \(Q\) | \(CF\) | \(CV\) | \(CT\) |
|---|---|---|---|---|
| 0 | 0 | 60 | 0 | 60 |
| 1 | 20 | 60 | 250 | 310 |
| 2 | 50 | 60 | 500 | 560 |
| 3 | 85 | 60 | 750 | 810 |
| 4 | 114 | 60 | 1,000 | 1,060 |
| 5 | 140 | 60 | 1,250 | 1,310 |
| 6 | 159 | 60 | 1,500 | 1,560 |
| 7 | 169 | 60 | 1,750 | 1,810 |
| 8 | 164 | 60 | 2,000 | 2,060 |
Note que a curva de \(CT\) é paralela à de \(CV\) — distam sempre \(CF = 60\).
É a variação do custo total quando se produz uma unidade adicional de output:
\[Cmg = \frac{\Delta CT}{\Delta Q} = \frac{dCT}{dQ}\]
Como \(CF\) é constante, \(\Delta CF = 0\), portanto:
\[Cmg = \frac{\Delta CV}{\Delta Q} = \frac{dCV}{dQ}\]
O custo marginal é independente do custo fixo — pode calcular-se a partir de \(CT\) ou de \(CV\) com o mesmo resultado.
Existe uma relação inversa entre \(Cmg\) e \(MPL\). Se o salário por unidade de \(L\) é \(W\):
\[Cmg = \frac{W}{MPL}\]
A Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes implica que o \(Cmg\) é crescente na Zona Económica de Exploração — fundamento da Lei da Oferta.
Dividem o custo por unidade produzida:
Custo Fixo Médio: \(CFM = \dfrac{CF}{Q}\) — sempre decrescente (o custo fixo dilui-se por mais unidades)
Custo Variável Médio: \(CVM = \dfrac{CV}{Q}\) — forma em \(U\); mínimo onde \(Cmg = CVM\)
Custo Total Médio: \(CTM = \dfrac{CT}{Q} = CFM + CVM\) — forma em \(U\); mínimo onde \(Cmg = CTM\)
\[CTM = CFM + CVM \implies CTM > CVM \text{ sempre}\]
| \(L\) | \(Q\) | \(CT\) | \(Cmg\) | \(CVM\) | \(CTM\) | Etapa |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 0 | 0 | 60 | — | — | — | |
| 1 | 20 | 310 | 12.50 | 12.50 | 15.50 | I |
| 2 | 50 | 560 | 8.33 | 10.00 | 11.20 | I |
| 3 | 85 | 810 | 7.14 | 8.82 | 9.53 | I |
| 4 | 114 | 1,060 | 8.62 | 8.77 | 9.30 | I |
| 5 | 140 | 1,310 | 9.62 | 8.93 | 9.36 | II |
| 6 | 159 | 1,560 | 13.16 | 9.43 | 9.81 | II |
| 7 | 169 | 1,810 | 25.00 | 10.36 | 10.71 | II |
1. \(Cmg\) interseta \(CVM\) no mínimo de \(CVM\)
2. \(Cmg\) interseta \(CTM\) no mínimo de \(CTM\) (pelo mesmo raciocínio)
3. \(CTM > CVM\) sempre (a diferença é o \(CFM > 0\))
4. \(CFM\) é sempre decrescente e tende para 0 → \(CTM\) converge para \(CVM\) quando \(Q \to \infty\)
Dada \(CT = Q^3 - 6Q^2 + 15Q + 10\):
\[CF = 10 \quad \text{(termo constante)}\] \[CV = Q^3 - 6Q^2 + 15Q\]
\[Cmg = \frac{dCT}{dQ} = 3Q^2 - 12Q + 15\]
\[CVM = \frac{CV}{Q} = Q^2 - 6Q + 15\] \[CTM = \frac{CT}{Q} = Q^2 - 6Q + 15 + \frac{10}{Q}\]
Para \(CT = Q^3 - 6Q^2 + 15Q + 10\):
Mínimo de \(CVM\): onde \(Cmg = CVM\):
\[3Q^2 - 12Q + 15 = Q^2 - 6Q + 15\] \[2Q^2 - 6Q = 0 \implies Q(2Q - 6) = 0 \implies Q_{CVM_{min}} = 3\]
Mínimo de \(CTM\): onde \(Cmg = CTM\), ou \(\frac{dCTM}{dQ} = 0\):
\[\frac{dCTM}{dQ} = 2Q - 6 - \frac{10}{Q^2} = 0\]
Numericamente: \(Q_{CTM_{min}} \approx 3.43\); \(CTM_{min} \approx 9.10\)
1. Para a função \(CT = 2Q^2 + 8Q + 50\), qual é o Custo Marginal?
Solução: B \(Cmg = \frac{dCT}{dQ} = 4Q + 8\).
2. Para qual das seguintes afirmações sobre custos a curto prazo a afirmação é falsa?
Solução: C A afirmação c) é falsa. Quem interseta \(CVM\) no mínimo é o \(Cmg\), não o \(CTM\). O \(CTM\) é sempre maior que o \(CVM\) e interseta o \(Cmg\) no seu próprio mínimo.
Enunciado: Uma empresa tem a função de custos totais \(CT = Q^3 - 9Q^2 + 30Q + 18\).
Identifique \(CF\), \(CV(Q)\), \(CVM(Q)\), \(CTM(Q)\) e \(Cmg(Q)\).
Determine a produção no mínimo de \(CVM\) e o respectivo valor mínimo. Confirme que \(Cmg = CVM\) nesse ponto.
Determine a produção no mínimo de \(CTM\). Confirme que \(Cmg = CTM\) nesse ponto.
\[CT = Q^3 - 9Q^2 + 30Q + 18\]
\[CF = 18 \qquad CV = Q^3 - 9Q^2 + 30Q\]
\[Cmg = 3Q^2 - 18Q + 30\]
\[CVM = \frac{CV}{Q} = Q^2 - 9Q + 30\] \[CTM = \frac{CT}{Q} = Q^2 - 9Q + 30 + \frac{18}{Q}\]
Mínimo de \(CVM\) (\(Cmg = CVM\)): \[3Q^2 - 18Q + 30 = Q^2 - 9Q + 30\] \[2Q^2 - 9Q = 0 \implies Q(2Q - 9) = 0 \implies Q_{CVM_{min}} = 4.5\]
\(CVM(4.5) = 20.25 - 40.5 + 30 = 9.75\)
\(Cmg(4.5) = 3(20.25) - 18(4.5) + 30 = 60.75 - 81 + 30 = 9.75\)
Mínimo de \(CTM\) (\(Cmg = CTM\), ou \(\frac{dCTM}{dQ}=0\)):
\[\frac{dCTM}{dQ} = 2Q - 9 - \frac{18}{Q^2} = 0 \implies 2Q^3 - 9Q^2 - 18 = 0\]
Numericamente: \(Q_{CTM_{min}} \approx 4.88\); \(CTM(4.88) \approx Cmg(4.88) \approx 13.58\)
Objetivo: Compreender as relações geométricas entre as curvas de custo — como os declives e os raios de origem das curvas de \(CT\) e \(CV\) se relacionam com \(Cmg\), \(CVM\) e \(CTM\) — e sistematizar as correspondências entre produção e custos.
Já estabelecemos duas relações fundamentais:
\[Cmg = \frac{w}{MPL} \qquad CVM = \frac{w}{APL}\]
Isto implica uma simetria total entre as curvas de produto e as curvas de custo:
| Produção | Custo | |
|---|---|---|
| \(MPL\) crescente | \(\Rightarrow\) | \(Cmg\) decrescente |
| \(MPL\) máximo | \(\Rightarrow\) | \(Cmg\) mínimo |
| \(MPL\) decrescente | \(\Rightarrow\) | \(Cmg\) crescente |
| \(APL\) máximo (ótimo técnico) | \(\Rightarrow\) | \(CVM\) mínimo |
\[Cmg = \frac{\Delta CT}{\Delta Q} = \frac{\Delta CV}{\Delta Q} = \frac{\Delta CV}{\Delta L}\cdot\frac{\Delta L}{\Delta Q} = \frac{w}{MPL}\]
\[CVM = \frac{CV}{Q} = \frac{wL}{Q} = \frac{w}{(Q/L)} = \frac{w}{APL}\]
A geometria das curvas de custo é um espelho invertido da geometria das curvas de produto: onde o produto tem máximo, o custo tem mínimo — e vice-versa.
\(Cmg\) num dado ponto é o declive da reta tangente à curva \(CV\) nesse ponto:
\(CVM(Q) = CV(Q)/Q\) é o declive do segmento que une a origem ao ponto \((Q, CV)\):
O mínimo de \(CVM\) ocorre onde o raio de origem é tangente à curva \(CV\). Nesse ponto, raio e tangente coincidem \(\Rightarrow\) \(Cmg = CVM\).
Analogamente, \(CTM(Q) = CT(Q)/Q\) é o declive do raio de origem à curva \(CT\):
\(MPL\) máximo \(\;\Leftrightarrow\;\) \(Cmg\) mínimo — ponto de inflexão em ambas as curvas
\(APL\) máximo (ótimo técnico) \(\;\Leftrightarrow\;\) \(CVM\) mínimo
\(Cmg\) interseta \(CVM\) no mínimo de \(CVM\) \(\;(Cmg = CVM)\)
\(Cmg\) interseta \(CTM\) no mínimo de \(CTM\) \(\;(Cmg = CTM)\), e \(Q_{CTM_{min}} > Q_{CVM_{min}}\) sempre
Raciocínio pela média:
Analogia: numa série de notas de teste, se a nota seguinte for abaixo da média atual, a média desce; se for acima, sobe. A nota que iguala a média é indiferente — é o ponto de mínimo (ou máximo) da média.
\[CTM = CFM + CVM = \frac{CF}{Q} + CVM\]
Quando \(Q \to +\infty\): \(\;CFM \to 0\;\) e portanto \(\;CTM \to CVM\).
1. Para a função \(CT = Q^3 - 12Q^2 + 60Q + 20\), o mínimo do Custo Marginal ocorre em:
Solução: \(Cmg = 3Q^2 - 24Q + 60\).
Mínimo: \(dCmg/dQ = 6Q - 24 = 0 \Rightarrow Q = 4\).
\(Cmg(4) = 48 - 96 + 60 = 12\).
Condição de 2.ª ordem: \(d^2Cmg/dQ^2 = 6 > 0\) → mínimo ✓
2. Qual das seguintes afirmações é verdadeira?
Solução:
Enunciado: Seja \(CT = \dfrac{1}{3}Q^3 - 5Q^2 + 30Q + 48\).
Identifique \(CF\), \(CV\), \(Cmg\), \(CVM\) e \(CTM\).
Encontre o mínimo de \(Cmg\) e o mínimo de \(CVM\). Confirme que \(Cmg = CVM\) no mínimo de \(CVM\).
Verifique que o mínimo de \(CTM\) ocorre para um valor de \(Q\) superior ao mínimo de \(CVM\).
\[CF = 48, \qquad CV = \tfrac{1}{3}Q^3 - 5Q^2 + 30Q\]
\[Cmg = Q^2 - 10Q + 30, \quad CVM = \tfrac{1}{3}Q^2 - 5Q + 30\]
\[CTM = \tfrac{1}{3}Q^2 - 5Q + 30 + \tfrac{48}{Q}\]
Mínimo de \(Cmg\): \(dCmg/dQ = 2Q - 10 = 0 \;\Rightarrow\; Q = 5\); \(\quad Cmg(5) = 25 - 50 + 30 = 5\)
Mínimo de \(CVM\) — igualar \(Cmg = CVM\):
\[Q^2 - 10Q + 30 = \tfrac{1}{3}Q^2 - 5Q + 30 \;\Rightarrow\; \tfrac{2}{3}Q^2 - 5Q = 0 \;\Rightarrow\; Q\!\left(\tfrac{2}{3}Q - 5\right) = 0 \;\Rightarrow\; Q_{CVM_{min}} = 7.5\]
\(CVM(7.5) = \tfrac{1}{3}(56.25) - 37.5 + 30 = 18.75 - 37.5 + 30 = 11.25\)
\(Cmg(7.5) = 56.25 - 75 + 30 = 11.25\) ✓
Mínimo de \(CTM\): \(dCTM/dQ = 0\):
\[\frac{2}{3}Q - 5 - \frac{48}{Q^2} = 0 \quad\Rightarrow\quad \frac{2}{3}Q^3 - 5Q^2 - 48 = 0\]
Por tentativas:
\(Q = 8\!:\) \(\tfrac{2}{3}(512) - 5(64) - 48 = 341.3 - 320 - 48 = -26.7 < 0\)
\(Q = 8.5\!:\) \(\tfrac{2}{3}(614.1) - 5(72.25) - 48 = 409.4 - 361.3 - 48 \approx 0.1 \approx 0\) ✓
\(\Rightarrow Q_{CTM_{min}} \approx 8.5\)
\(CTM(8.5) = \tfrac{1}{3}(72.25) - 42.5 + 30 + \tfrac{48}{8.5} \approx 24.08 - 42.5 + 30 + 5.65 \approx 17.23\)
\(Cmg(8.5) = 72.25 - 85 + 30 = 17.25\) ✓
Conclusão: \(Q_{CTM_{min}} \approx 8.5 > Q_{CVM_{min}} = 7.5\) ✓
Objetivo: Derivar a condição ótima de produção em concorrência perfeita (\(P = Cmg\)), identificar os limiares de rendibilidade e encerramento, e construir a curva de oferta individual.
Nesta secção estudamos a Concorrência Perfeita — a estrutura de mercado de referência.
A hipótese-chave é que a empresa não tem poder de mercado: para ela, \(P\) é uma constante.
\[\max_{Q_i} \Pi_i = RT - CT = P \cdot Q_i - CT(Q_i)\]
Condição de Primeira Ordem (CPO):
\[\frac{d\Pi_i}{dQ_i} = P - \frac{dCT}{dQ_i} = 0 \;\Rightarrow\; \boxed{P = Cmg}\]
Condição de Segunda Ordem (CSO):
\[\frac{d^2\Pi_i}{dQ_i^2} = -\frac{dCmg}{dQ_i} < 0 \;\Rightarrow\; Cmg \text{ crescente}\]
A empresa produz onde \(P = Cmg\) na zona crescente de \(Cmg\) — que coincide com a Zona Económica de Exploração.
\[P = Cmg\]
É novamente o princípio fundamental da racionalidade: benefício marginal = custo marginal.
\(\Pi^* = Q_i^* \cdot (P^* - CTM(Q_i^*)) > 0\) quando \(P^* > CTM\) ✓
\(P > CVM\): a receita cobre os custos variáveis e parte dos fixos → prejuízo \(< CF\) → manter-se em funcionamento
\[\Pi = Q_i \cdot (P - CTM) = Q_i \cdot (P - CVM - CFM)\]
A curva de oferta é o conjunto de pares \((Q, P)\) que constituem a escolha ótima para cada preço:
\[S_i: \quad P = Cmg(Q_i) \quad \text{para } P \geq P_0 = CVM_{min}\]
A curva de oferta tem inclinação positiva: se \(P\) sobe, \(Q_i^*\) sobe — e vice-versa.
Porquê? Na Zona Económica de Exploração, \(Cmg\) é crescente. Para um preço mais alto, a igualdade \(P = Cmg\) dá-se num nível de \(Q\) mais elevado.
Fundamento último: Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes \(\Rightarrow\) \(Cmg\) crescente \(\Rightarrow\) curva de oferta positivamente inclinada.
A variação do preço de venda move ao longo da curva de oferta. A variação de fatores exógenos (preço dos inputs, tecnologia) desloca a curva inteira.
O preço de venda \(P\) é o único fator que move ao longo da curva. Os restantes fatores deslocam a curva:
Dados: \(CT = Q^3 - 60Q^2 + 1200Q + 1000\)
\[Cmg = 3Q^2 - 120Q + 1200\] \[CVM = Q^2 - 60Q + 1200 \qquad CTM = Q^2 - 60Q + 1200 + \tfrac{1000}{Q}\]
Limiar de encerramento — mínimo de \(CVM\) (\(Cmg = CVM\)):
\[3Q^2 - 120Q + 1200 = Q^2 - 60Q + 1200\] \[2Q^2 - 60Q = 0 \;\Rightarrow\; Q_0 = 30\]
\[P_0 = CVM(30) = 900 - 1800 + 1200 = \mathbf{300}\]
Limiar de rendibilidade — mínimo de \(CTM\): por tentativas,
\(Q = 30.5\!:\) \(CTM = (30.5)^2 - 60(30.5) + 1200 + \tfrac{1000}{30.5} = 930.25 - 1830 + 1200 + 32.79 \approx 333\)
\[P_1 \approx \mathbf{333}\]
Curva de oferta:
\[S_i\!: \quad P = 3Q^2 - 120Q + 1200 \quad \text{para } P \geq 300\]
Para \(P = 330.75\): igualar \(P = Cmg\):
\[3Q^2 - 120Q + 1200 = 330.75 \;\Rightarrow\; 3Q^2 - 120Q + 869.25 = 0\]
\[\begin{aligned} Q &= \frac{120 \pm \sqrt{14400 - 4 \times 3 \times 869.25}}{6} = \frac{120 \pm \sqrt{14400 - 10431}}{6} \\[2pt] &= \frac{120 \pm \sqrt{3969}}{6} = \frac{120 \pm 63}{6} \end{aligned}\]
\(Q_a = 9.5\) (zona decrescente de \(Cmg\) — inválido); \(\quad Q^* = \dfrac{120+63}{6} = 30.5\)
\(CVM(30.5) = 930.25 - 1830 + 1200 = 300.25 < 330.75\) → produz
\(CTM(30.5) \approx 333 > 330.75\) → prejuízo (mas menor que \(CF\)) ✓
1. Uma empresa em concorrência perfeita tem \(Cmg = 2Q + 4\) e \(CVM_{min} = 4\) (para \(Q = 0\)). Se o preço de mercado for \(P = 14\), qual a produção ótima?
Solução: \(P = Cmg \Rightarrow 14 = 2Q + 4 \Rightarrow Q^* = 5\).
Verificação de encerramento: \(P = 14 > CVM_{min} = 4\) → não encerra ✓
2. Para uma empresa em concorrência perfeita com \(CT = 2Q^2 + 6Q + 50\), qual o limiar de encerramento?
Solução: \(CV = 2Q^2 + 6Q\); \(CVM = 2Q + 6\).
\(CVM\) é crescente para todo \(Q > 0\) (é uma reta), logo o mínimo é em \(Q \to 0\): \(CVM_{min} = 6\).
Verificação: \(Cmg = 4Q + 6\). \(Cmg = CVM \Rightarrow 4Q + 6 = 2Q + 6 \Rightarrow Q = 0\). \(CVM(0) = 6\) ✓
\(P_0 = 6\).
Enunciado: Uma empresa em concorrência perfeita tem \(CT = Q^3 - 9Q^2 + 30Q + 18\).
Determine \(Cmg\), \(CVM\) e \(CTM\).
Calcule os limiares de encerramento e rendibilidade.
Se \(P = 12\), qual a produção ótima? Tem lucro ou prejuízo? Deve manter-se em funcionamento?
Escreva a expressão da curva de oferta desta empresa.
\[Cmg = 3Q^2 - 18Q + 30, \quad CVM = Q^2 - 9Q + 30, \quad CTM = Q^2 - 9Q + 30 + \tfrac{18}{Q}\]
Limiar de encerramento (\(Cmg = CVM\)):
\[3Q^2 - 18Q + 30 = Q^2 - 9Q + 30 \;\Rightarrow\; 2Q^2 - 9Q = 0 \;\Rightarrow\; Q_0 = 4.5\]
\[P_0 = CVM(4.5) = 20.25 - 40.5 + 30 = \mathbf{9.75}\]
Limiar de rendibilidade (\(Cmg = CTM\)):
\[3Q^2 - 18Q + 30 = Q^2 - 9Q + 30 + \tfrac{18}{Q} \;\Rightarrow\; 2Q^3 - 9Q^2 - 18 = 0\]
Por tentativas: \(Q = 4.88 \Rightarrow CTM(4.88) \approx 13.58\).
\[P_1 \approx \mathbf{13.58}\]
Para \(P = 12\): igualar \(P = Cmg\):
\[3Q^2 - 18Q + 30 = 12 \;\Rightarrow\; 3Q^2 - 18Q + 18 = 0 \;\Rightarrow\; Q^2 - 6Q + 6 = 0\]
\[Q = \frac{6 \pm \sqrt{36 - 24}}{2} = \frac{6 \pm \sqrt{12}}{2} = 3 \pm \sqrt{3}\]
\(Q_a = 3 - \sqrt{3} \approx 1.27\) (zona decrescente de \(Cmg\) — inválido)
\(Q^* = 3 + \sqrt{3} \approx 4.73\)
\(CVM(4.73) = 22.37 - 42.57 + 30 = 9.80\)
\(CTM(4.73) = 9.80 + 18/4.73 = 9.80 + 3.81 = 13.61\)
\(P = 12 > P_0 = 9.75\) → mantém-se em funcionamento ✓
\(P = 12 < P_1 \approx 13.58\) → tem prejuízo (mas inferior a \(CF = 18\)) ✓
Curva de oferta: \(S_i\!: P = 3Q^2 - 18Q + 30\) para \(P \geq 9.75\)
No mercado de concorrência perfeita, a empresa \(i\) toma o preço \(p\) como dado e resolve:
\[\max_{Q_i} \Pi = p Q_i - CV(Q_i) - CF\]
A condição de primeira ordem (CPO) dá:
\[\frac{d\Pi}{dQ_i} = 0 \iff p = CMg(Q_i)\]
A condição de segunda ordem (CSO) exige que \(CMg\) seja crescente no ponto ótimo.
Importante
A quantidade ótima situa-se na parte ascendente da curva \(CMg\).
O lucro pode ser reescrito em termos de custos médios:
\[\Pi = pQ - CT = Q(p - CTM)\]
| Condição | Resultado |
|---|---|
| \(p > CTM\) | \(\Pi > 0\) — Lucro |
| \(p = CTM\) | \(\Pi = 0\) — Ponto de equilíbrio (break-even) |
| \(CVM \leq p < CTM\) | \(\Pi < 0\) — Prejuízo, mas a empresa produz |
| \(p < CVM\) | \(\Pi < 0\) — Empresa deve encerrar |
A questão central: mesmo com prejuízo, quando vale a pena continuar a produzir?
No curto prazo, os custos fixos são irrecuperáveis (sunk costs): a empresa paga-os independentemente de produzir ou não.
A decisão relevante é comparar:
A empresa produz se produzir for menos mau do que encerrar:
\[RT - CV - CF \geq -CF\] \[RT \geq CV\] \[p \geq CVM\]
Importante
Limiar de encerramento: a empresa fecha se \(p < CVM_{min}\).
Enquanto \(p \geq CVM_{min}\), compensa produzir mesmo com prejuízo.
O limiar de encerramento é o preço mínimo que justifica produzir: \(p_{enc} = CVM_{min}\), onde \(CMg = CVM\).
No mínimo de \(CVM\):
Nota: No curto prazo a empresa pode ter prejuízo e continuar a operar, desde que cubra os custos variáveis.
No mercado concorrencial, a curva de oferta individual é a curva \(CMg\) acima do limiar de encerramento.
\[S_i(p) = \begin{cases} Q_i^* : p = CMg(Q_i^*), \ CMg \text{ crescente} & \text{se } p \geq CVM_{min} \\ 0 & \text{se } p < CVM_{min} \end{cases}\]
A oferta de mercado agrega as ofertas individuais de todas as \(n\) empresas:
\[Q_S(p) = \sum_{i=1}^{n} Q_i^S(p)\]
Se todas as \(n\) empresas forem idênticas com oferta individual \(Q_i^S(p)\):
\[Q_S = n \cdot Q_i^S(p)\]
Exemplo: Se cada empresa tem \(CMg = 2 + Q_i\) (logo \(Q_i^S = p - 2\), para \(p \geq 2\)) e existem \(n = 2\) empresas:
\[Q_S = 2(p-2) = 2p - 4 \quad (p \geq 2)\]
Na forma inversa: \(P = 2 + \frac{Q}{2}\) — a curva de oferta de mercado tem menor inclinação que a individual.
A curva de oferta desloca-se quando se alteram variáveis exógenas à empresa:
| Variável | Efeito sobre a oferta |
|---|---|
| Tecnologia \(A\) (melhor) | \(\uparrow\) oferta (desloc. p/ direita) |
| Custo do capital \(r\) (sobe) | \(\downarrow\) oferta |
| Salário \(w\) (sobe) | \(\downarrow\) oferta |
| Preço de matérias-primas \(p_m\) (sobe) | \(\downarrow\) oferta |
| Preço de bens intermédios \(p_i\) (sobe) | \(\downarrow\) oferta |
Nota
Uma alteração do preço de venda \(p\) não desloca a curva — apenas move a empresa ao longo da mesma curva de oferta.
Excedente do Produtor (EP)
O excedente do produtor é a diferença entre o que o produtor recebe e o mínimo que estaria disposto a aceitar por cada unidade produzida.
Graficamente: área acima da curva de oferta até ao preço de mercado.
Para a curva de oferta linear \(P = a + bQ\), ao preço de equilíbrio \(p^*\) e quantidade \(Q^*\):
\[EP = \frac{1}{2}(p^* - a) \cdot Q^*\]
Relação com o lucro:
\[\Pi = RT - CV - CF = EP - CF\]
O excedente do produtor é o lucro mais os custos fixos — ou seja, a contribuição da atividade para cobrir os custos fixos e gerar lucro.
O excedente total = \(EC + EP\) representa o ganho total das trocas no mercado.
Importante: numa curva de oferta linear com ordenada na origem \(a\) (= \(CVM_{min}\)):
\[EP = \frac{1}{2}(p^* - a) Q^* = RT - CV\]
\[\Pi = EP - CF\]
| Sem CF | Com CF (CP) | |
|---|---|---|
| \(p > CTM\) | — | \(\Pi > 0\), empresa opera |
| \(CVM \leq p < CTM\) | — | \(\Pi < 0\), EP > 0, empresa opera |
| \(p = CVM_{min}\) | EP = 0 | \(\Pi = -CF\), limiar encerramento |
| \(p < CVM_{min}\) | EP < 0 | Empresa encerra |
Importante
No longo prazo, os custos fixos desaparecem (todos os fatores são variáveis). Então EP = lucro económico de longo prazo.
Uma empresa concorrencial tem \(CVM_{min} = 4€\) e \(CTM_{min} = 7€\). O preço de mercado é \(p = 5€\). Qual das seguintes afirmações é correta?
(A) A empresa encerra imediatamente, pois tem prejuízo.
(B) A empresa produz, pois o preço cobre os custos variáveis, mas tem prejuízo a curto prazo.
(C) A empresa tem lucro positivo.
(D) O excedente do produtor é negativo.
Solução · Oferta (1)
Resposta: (B)
\(p = 5 > CVM_{min} = 4\) → a empresa produz (o preço cobre os custos variáveis).
\(p = 5 < CTM_{min} = 7\) → há prejuízo a curto prazo.
O EP = \(RT - CV > 0\), mas \(\Pi = EP - CF < 0\).
Num mercado com 4 empresas idênticas, cada uma com \(CMg_i = Q_i\) (e limiar de encerramento em \(p=0\)). A procura de mercado é \(Q_d = 20 - P\). Qual o preço de equilíbrio?
(A) \(P^* = 2\)
(B) \(P^* = 4\)
(C) \(P^* = 6\)
(D) \(P^* = 8\)
Solução · Oferta (2)
Resposta: (B)
Da oferta individual: \(P = CMg_i = Q_i \Rightarrow Q_i^S = P\).
Oferta de mercado: \(Q_S = 4P\).
Equilíbrio: \(4P = 20 - P \Rightarrow 5P = 20 \Rightarrow P^* = 4\).
Quantidade: \(Q^* = 20 - 4 = 16\). Verificação: \(Q_S = 4 \times 4 = 16\) ✓
O mercado de um bem tem as seguintes equações (com \(P\) em €, \(Q\) em milhares de unidades):
\[Q_d = 24 - 2P \qquad Q_s = 2P - 4 \quad (P \geq 2)\]
a) Determine o preço e a quantidade de equilíbrio.
b) Calcule o Excedente do Consumidor (EC) e o Excedente do Produtor (EP).
c) Qual o excedente económico total? O que representa?
d) O preço mínimo da curva de oferta é \(P_{min} = 2€\). O que representa economicamente este valor?
Solução · Oferta (3)
a) Equilíbrio: \(24 - 2P = 2P - 4 \Rightarrow 28 = 4P \Rightarrow P^* = 7€\), \(Q^* = 24-14 = 10\).
b) Intercepto da procura: \(Q_d=0 \Rightarrow P=12\). Intercepto da oferta: \(P=2\).
\(EC = \tfrac{1}{2}(12-7)\times 10 = 25\) (mil €) \(\quad EP = \tfrac{1}{2}(7-2)\times 10 = 25\) (mil €)
c) \(EE = EC + EP = 50\) mil €. Representa o valor total gerado pelas trocas voluntárias neste mercado.
d) \(P_{min} = 2€\) é o limiar de encerramento — abaixo deste preço nenhuma empresa produz.
O mercado de concorrência perfeita está em equilíbrio quando:
Importante
Condição de equilíbrio: \(Q_d(p^*) = Q_s(p^*)\)
Ao preço de equilíbrio \(p^*\), a quantidade procurada iguala a quantidade oferecida.
O ponto E é o equilíbrio: a “mão invisível” de Adam Smith (1776) conduz os agentes até aqui.
“Cada indivíduo não pretende promover o interesse público, nem sabe em que medida o está a promover. Ele é conduzido por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte dos seus planos.” — Adam Smith, A Riqueza das Nações, 1776
Em mercados concorrenciais, sem falhas de mercado:
Quando \(p > p^*\): a quantidade oferecida excede a procurada — há excesso de oferta.
\(p_1 > p^* \Rightarrow q_s > q_d\) → produtores não conseguem escoar a produção → preço desce até \(p^*\).
Quando \(p < p^*\): a quantidade procurada excede a oferecida — há excesso de procura.
\(p_2 < p^* \Rightarrow q_d > q_s\) → consumidores não encontram o bem → preço sobe até \(p^*\).
O que acontece quando a procura aumenta (desloca-se para a direita)?
\(D \uparrow\) → excesso de procura ao preço antigo → preço sobe → quantidade de equilíbrio aumenta.
O que acontece quando a oferta aumenta (desloca-se para a direita)?
\(S \uparrow\) → excesso de oferta ao preço antigo → preço desce → quantidade de equilíbrio aumenta.
| Alteração | Efeito sobre \(P^*\) | Efeito sobre \(Q^*\) |
|---|---|---|
| \(\uparrow\) Procura | \(\uparrow\) | \(\uparrow\) |
| \(\downarrow\) Procura | \(\downarrow\) | \(\downarrow\) |
| \(\uparrow\) Oferta | \(\downarrow\) | \(\uparrow\) |
| \(\downarrow\) Oferta | \(\uparrow\) | \(\downarrow\) |
| \(\uparrow\) Procura e \(\uparrow\) Oferta | ? | \(\uparrow\) |
| \(\uparrow\) Procura e \(\downarrow\) Oferta | \(\uparrow\) | ? |
Quando dois choques ocorrem simultaneamente, o efeito num dos preços ou quantidades pode ser indeterminado — depende da magnitude relativa dos choques.
No equilíbrio, o preço \(p^*\) é formado pela interação de todos os agentes. Cada empresa \(i\) toma-o como dado e otimiza individualmente.
A empresa \(i\)
O mercado
Nota
No curto prazo, o número de empresas é fixo. O preço de equilíbrio pode ser tal que as empresas tenham lucro, prejuízo, ou resultado nulo — dependendo de \(p^*\) vs \(CTM\).
Excedente Económico Total (EE)
\[EE = EC + EP\]
O excedente total mede o valor gerado pelas trocas no mercado — o ganho mútuo que consumidores e produtores obtêm ao transacionarem, em vez de não o fazerem.
O excedente total é máximo no equilíbrio concorrencial — qualquer outra quantidade transacionada reduz-o.
Quantidade abaixo de \(Q^*\) (\(Q < Q^*\)):
Quantidade acima de \(Q^*\) (\(Q > Q^*\)):
Importante
A concorrência perfeita maximiza o excedente total — por isso se diz que é a estrutura de mercado eficiente, na ausência de falhas de mercado.
Quando a procura se expande de \(D\) para \(D'\), o novo equilíbrio gera mais excedente total.
A expansão da procura beneficia ambos os lados do mercado: EC e EP aumentam.
Num mercado, a oferta de um bem reduz-se (a curva desloca-se para a esquerda). Ceteris paribus, o que acontece ao equilíbrio?
(A) O preço sobe e a quantidade de equilíbrio aumenta.
(B) O preço desce e a quantidade de equilíbrio aumenta.
(C) O preço sobe e a quantidade de equilíbrio diminui.
(D) O preço desce e a quantidade de equilíbrio diminui.
Solução · Equilíbrio CP (1)
Resposta: (C)
Redução da oferta → curva \(S\) desloca para a esquerda → excesso de procura ao preço anterior → preço sobe. Com preço mais alto e procura inalterada, a quantidade transacionada diminui.
Num mercado em equilíbrio com \(p^* = 10\) e \(Q^* = 20\). A curva de procura é linear com ordenada na origem \(P = 20 - \frac{Q}{2}\) e a oferta tem ordenada na origem \(P = 2\) (no eixo dos preços). Qual o excedente económico total?
(A) 100
(B) 160
(C) 180
(D) 200
Solução · Equilíbrio CP (2)
Resposta: (C)
\(EC = \tfrac{1}{2}(20 - 10)\times 20 = 100\)
\(EP = \tfrac{1}{2}(10 - 2)\times 20 = 80\)
\(EE = EC + EP = 180\)
O mercado de um bem tem as equações \(Q_d = 18 - 2P \qquad Q_s = 2P - 2\)
a) Calcule o preço e a quantidade de equilíbrio.
b) Calcule o excedente do consumidor (EC), excedente do produtor (EP) e o excedente total (EE).
c) A procura expande-se para \(Q_d' = 22 - 2P\). Determine o novo equilíbrio e os novos excedentes. Quem ganha mais com esta expansão?
d) Utilizando a tabela de dinâmicas, explique o que aconteceria se, simultaneamente, a procura expandisse e a oferta contraísse.
Solução · Equilíbrio CP (3)
a) \(18 - 2P = 2P - 2 \Rightarrow 4P = 20 \Rightarrow P^* = 5\), \(Q^* = 8\).
b) Interceptos: procura \(P=9\), oferta \(P=1\).
\(EC = \tfrac{1}{2}(9-5)\times 8 = 16\) \(\quad\) \(EP = \tfrac{1}{2}(5-1)\times 8 = 16\) \(\quad\) \(EE = 32\).
c) \(22 - 2P = 2P - 2 \Rightarrow 4P = 24 \Rightarrow P^{*\prime} = 6\), \(Q^{*\prime} = 10\).
Novo intercepto da procura: \(Q_d'=0 \Rightarrow P=11\).
\(EC' = \tfrac{1}{2}(11-6)\times 10 = 25\) \(\quad\) \(EP' = \tfrac{1}{2}(6-1)\times 10 = 25\) \(\quad\) \(EE' = 50\).
Ambos ganham igual (\(+9\) cada). O excedente total aumentou \(+18\).
d) Procura \(\uparrow\) e oferta \(\downarrow\): o preço sobe inequivocamente (\(\uparrow P\)). O efeito na quantidade é indeterminado — depende da magnitude relativa dos dois choques.
No curto prazo, pelo menos um fator produtivo é fixo (tipicamente o capital \(K\)), dando origem a custos fixos.
No longo prazo, todos os fatores são variáveis — a empresa pode escolher livremente a combinação de capital \(K\) e trabalho \(L\):
Importante
Problema do produtor a longo prazo: encontrar a combinação \((K, L)\) que minimiza o custo de produzir uma dada quantidade \(Q^*\).
\[\min_{K,\, L} \; rK + wL \qquad \text{sujeito a} \quad F(K,L) = Q^*\]
onde \(r\) é o custo unitário do capital e \(w\) o custo unitário do trabalho.
| Símbolo | Significado |
|---|---|
| \(r\) | Custo de aluguer/uso do capital (taxa de juro, amortização) |
| \(w\) | Salário (custo do trabalho) |
| \(rK + wL\) | Custo total a minimizar |
| \(F(K,L) = Q^*\) | Restrição: produzir exatamente \(Q^*\) |
A restrição \(F(K,L) = Q^*\) define todas as combinações \((K,L)\) que produzem \(Q^*\) — a isoquanta.
Isoquanta
Curva que representa todas as combinações de capital \(K\) e trabalho \(L\) que permitem obter a mesma quantidade produzida \(Q^*\).
\[\{(K, L) : F(K, L) = Q^*\}\]
É uma curva de nível da função de produção ao nível \(Q^*\).
Para funções da família \(F(K,L) = A K^a L^b\), a isoquanta é uma hipérbole no espaço \((L, K)\).
Isoquantas mais afastadas da origem correspondem a níveis de produção mais elevados.
Ao longo de cada isoquanta, \(K\) e \(L\) são substituíveis — reduzir um fator obriga a aumentar o outro para manter \(Q^*\).
A inclinação da isoquanta mede a taxa a que a empresa troca \(L\) por \(K\) mantendo a produção constante:
\[TMST_{L,K} = -\frac{dK}{dL}\bigg|_{Q=Q^*} = \frac{PMg_L}{PMg_K}\]
Nota
A TMST é análoga ao \(TMS\) do consumidor — aqui avalia a substituição de fatores em vez de bens de consumo.
Isocusto
Reta formada por todas as combinações de \(K\) e \(L\) com o mesmo custo total \(\overline{CT}\):
\[\overline{CT} = rK + wL \quad \Longleftrightarrow \quad K = \frac{\overline{CT}}{r} - \frac{w}{r} L\]
Interceptos:
Inclinação: \(-\dfrac{w}{r}\) (razão dos preços dos fatores)
Isocustos mais afastados da origem correspondem a custos totais mais elevados.
A inclinação é constante — os preços dos fatores são dados para a empresa.
Isocustos paralelos: mesma inclinação \(-w/r\), diferentes níveis de custo.
O mínimo de custo para produzir \(Q^*\) ocorre no ponto onde a isoquanta é tangente ao isocusto:
\[TMST_{L,K} = \frac{w}{r} \qquad \Longleftrightarrow \qquad \frac{PMg_L}{PMg_K} = \frac{w}{r}\]
Interpretação: no ótimo, o “valor” marginal de cada euro gasto em \(L\) iguala o de cada euro gasto em \(K\):
\[\frac{PMg_L}{w} = \frac{PMg_K}{r}\]
Importante
Se \(\dfrac{PMg_L}{w} > \dfrac{PMg_K}{r}\): o trabalho é relativamente mais produtivo por euro → convém substituir \(K\) por \(L\).
Só no ótimo é que a empresa não tem incentivo a realocar fatores.
\(F(K,L) = K^{0.5} L^{0.5}\), \(Q^* = 100\), \(r = w = 5\).
Passo 1 — Isoquanta: \(100 = K^{0.5}L^{0.5}\) \(\Rightarrow\) \(KL = 10{,}000\) \(\Rightarrow\) \(K = \dfrac{10{,}000}{L}\)
Passo 2 — Substituir na função custo: \[CT(L) = 5 \cdot \frac{10{,}000}{L} + 5L = \frac{50{,}000}{L} + 5L\]
Passo 3 — CPO: \[\frac{dCT}{dL} = -\frac{50{,}000}{L^2} + 5 = 0 \;\Rightarrow\; L^2 = 10{,}000 \;\Rightarrow\; L^* = 100\]
Resultado: \(L^* = 100\), \(K^* = 100\), \(CT^* = 500 + 500 = 1{,}000\).
Verificação da condição de ótimo: \(TMST = K/L = 1 = w/r = 5/5 = 1\) ✓
Os pontos \(a\) e \(b\) também produzem \(Q^*\), mas com custo maior — estão sobre isocustos superiores.
No curto prazo, \(K\) está fixo em \(K_1 \neq K^*\): a empresa não pode ajustar o capital.
No LP, a empresa minimiza custos em \((L^*, K^*)\). No CP com \(K = K_1\) fixo, atinge a mesma isoquanta mas com custo superior.
Cada ponto da curva \(CM_{LP}\) é o mínimo do \(CTM\) de curto prazo para o nível de capital ótimo correspondente a cada \(Q\):
A curva \(CM_{LP}\) é o envelope inferior de todas as curvas de custo médio de curto prazo.
| Zona | Condição | Significado |
|---|---|---|
| Economias de escala | \(CM_{LP}\) decrescente | Crescer reduz o custo médio |
| Escala Mínima Eficiente (EME) | Mínimo de \(CM_{LP}\) | Dimensão ótima da empresa |
| Deseconomias de escala | \(CM_{LP}\) crescente | Crescer aumenta o custo médio |
Nota
Os custos usados na análise económica são custos de oportunidade — incluem não apenas despesas de caixa, mas também o valor das alternativas a que se renuncia.
Consequências importantes:
Importante
\(\Pi_{econ} = RT - CT_{econ}\) onde \(CT_{econ}\) inclui o custo de oportunidade de todos os fatores, incluindo o capital próprio do empresário.
Uma empresa tem \(F(K,L) = 2K^{0.5}L^{0.5}\), \(r = w = 2\), e pretende produzir \(Q^* = 20\). Qual a combinação ótima \((K^*, L^*)\) e o custo mínimo?
(A) \(K^*=5,\ L^*=5,\ CT^*=20\)
(B) \(K^*=10,\ L^*=10,\ CT^*=40\)
(C) \(K^*=20,\ L^*=20,\ CT^*=80\)
(D) \(K^*=10,\ L^*=5,\ CT^*=30\)
Solução · Isoquantas (1)
Resposta: (B)
Isoquanta: \(2\sqrt{KL}=20 \Rightarrow \sqrt{KL}=10 \Rightarrow KL=100 \Rightarrow K=100/L\).
\(CT(L) = 200/L + 2L\); CPO: \(-200/L^2+2=0 \Rightarrow L^*=10\), \(K^*=10\).
\(CT^*=2(10)+2(10)=40\). Verificação: \(2\sqrt{100}=20\) ✓
Qual das seguintes afirmações sobre o longo prazo é correta?
(A) No longo prazo os custos fixos são constantes.
(B) O \(CM_{LP}\) é sempre superior ao \(CTM\) de curto prazo.
(C) O \(CM_{LP}\) é o envelope inferior dos \(CTM\) de curto prazo.
(D) No longo prazo a empresa não tem grau de liberdade para escolher \(K\).
Solução · Isoquantas (2)
Resposta: (C)
No LP não há custos fixos → (A) falsa. O \(CM_{LP} \leq CTM_{CP}\) em qualquer ponto → (B) falsa. No LP a empresa escolhe \(K\) livremente → (D) falsa. A curva \(CM_{LP}\) tangencia cada \(CTM_{CP}\) pelo baixo — é o seu envelope inferior → (C) correta.
Uma empresa tem \(F(K,L) = KL\), com \(r = 4\) e \(w = 9\). Pretende produzir \(Q^* = 36\).
a) Escreva a equação da isoquanta e determine a combinação ótima \((K^*, L^*)\).
b) Calcule o custo mínimo \(CT^*\) e escreva a equação do isocusto ótimo.
c) Verifique a condição de ótimo \(TMST = w/r\).
d) Se no curto prazo o capital está fixo em \(K_1 = 12 \neq K^*\), qual seria \(L_1\) e \(CT_1\)? Compare com \(CT^*\).
Solução · Isoquantas (3)
a) Isoquanta: \(KL = 36 \Rightarrow K = 36/L\).
\(CT(L) = 4(36/L) + 9L = 144/L + 9L\).
CPO: \(-144/L^2 + 9 = 0 \Rightarrow L^* = 4\), \(K^* = 9\).
b) \(CT^* = 4(9) + 9(4) = 36 + 36 = 72\). Isocusto: \(72 = 4K + 9L\), i.e. \(K = 18 - \tfrac{9}{4}L\).
c) \(TMST = K/L = 9/4\) e \(w/r = 9/4\) ✓
d) \(K_1=12\): isoquanta \(\Rightarrow L_1 = 36/12 = 3\). \(CT_1 = 4(12)+9(3) = 48+27 = 75 > 72 = CT^*\). O CP tem custo superior, como esperado.
Longo Prazo
No longo prazo, todos os fatores produtivos são variáveis — não existem custos fixos. A empresa tem acesso a todas as combinações de \(K\) e \(L\), e pode ajustar a sua escala de produção.
Consequência fundamental:
Definições
A EME influencia a estrutura do mercado:
Recapitulação
No curto prazo, o número de empresas no mercado está fixo. O equilíbrio determina-se pela interação entre a procura do mercado e a oferta agregada das empresas existentes.
Condição de equilíbrio do mercado em CP:
\[Q_D(P^*) = Q_S(P^*)\]
Condição de otimização de cada empresa (tomadora de preço):
\[P^* = Cmg_{CP}(q^*)\]
Neste equilíbrio, o lucro individual pode ser positivo, nulo ou negativo.
Se \(\Pi > 0\): o mercado é atrativo para novos produtores → entram empresas.
Se \(\Pi < 0\): algumas empresas saem (após cobrir custos fixos irrecuperáveis).
Mecanismo de Ajustamento
O mercado em concorrência perfeita ajusta-se automaticamente através da entrada e saída de empresas:
Este processo continua até que nenhuma empresa tenha incentivo para entrar nem sair.
A entrada/saída de empresas cessa quando \(\Pi = 0\).
Em concorrência perfeita, o equilíbrio de longo prazo verifica:
\[\boxed{P^* = Cmg_{LP} = CM_{LP}}\]
Interpretação:
Curva de Oferta de LP em Concorrência Perfeita
Com livre entrada e saída, a curva de oferta de longo prazo do mercado é horizontal ao nível de \(P^* = CM_{LP,\min}\).
Porquê horizontal?
A quantidade total de mercado é determinada exclusivamente pela procura — o número de empresas ajusta-se para satisfazê-la ao preço \(P^*\).
Excedente no LP
No equilíbrio de longo prazo em concorrência perfeita:
Isto é uma propriedade notável da concorrência perfeita: no longo prazo, os consumidores capturam todo o ganho gerado pela atividade económica.
Suponha que o mercado está inicialmente em equilíbrio de LP. Ocorre um aumento permanente da procura.
Passo 1 — CP imediato:
A oferta está fixa (número de empresas fixo). O novo equilíbrio de CP tem \(P' > P^*\) e \(q_i' > q_i^*\). Surge \(\Pi > 0\).
Passo 2 — Ajustamento LP:
\(\Pi > 0\) atrai novas empresas. A oferta expande progressivamente. O preço desce.
Passo 3 — Novo equilíbrio LP:
O processo termina quando \(P = P^*\) novamente (se a tecnologia não se alterar e os preços dos fatores são constantes). A quantidade total no mercado é maior, mas cada empresa individual produz \(q_i^*\) (o mesmo de antes).
Uma empresa em mercado concorrencial tem função de custo total de LP: \[CT_{LP}(q) = q^3 - 6q^2 + 15q\]
Qual é o preço de equilíbrio de longo prazo neste mercado?
\(P^* = 3\)
\(P^* = 6\)
\(P^* = 9\)
\(P^* = 15\)
Resolução:
\[CM_{LP} = \frac{CT_{LP}}{q} = q^2 - 6q + 15\]
Mínimo de \(CM_{LP}\): \(\frac{d\,CM_{LP}}{dq} = 2q - 6 = 0 \Rightarrow q^* = 3\)
\[CM_{LP}(3) = 9 - 18 + 15 = \mathbf{6}\]
Confirmação: \(Cmg_{LP} = 3q^2 - 12q + 15 \Rightarrow Cmg_{LP}(3) = 27 - 36 + 15 = 6\) ✓
No LP, \(P^* = CM_{LP,\min} = Cmg_{LP}(q^*)\)
Resposta: B) \(P^* = 6\)
Continuando o exercício anterior (\(CT_{LP} = q^3 - 6q^2 + 15q\), \(P^* = 6\)). A procura de mercado é \(Q_D = 120 - 10P\). Quantas empresas existem no equilíbrio de LP?
10 empresas
15 empresas
20 empresas
60 empresas
Resolução:
Quantidade procurada ao preço de equilíbrio \(P^* = 6\): \[Q_D = 120 - 10 \times 6 = 60\]
Cada empresa produz \(q^* = 3\) no LP.
Número de empresas: \[n^* = \frac{Q_D}{q^*} = \frac{60}{3} = \mathbf{20 \text{ empresas}}\]
Resposta: C) 20 empresas
Considere um mercado em concorrência perfeita com livre entrada e saída.
A procura de mercado é \(Q_D = 60 - 5P\).
Cada empresa tem função de custo total de LP: \[CT_{LP}(q) = q^3 - 6q^2 + 12q\]
(a) Determine o preço de equilíbrio de LP, \(P^*\), a quantidade produzida por cada empresa, \(q^*\), e o número de empresas no mercado, \(n^*\).
(b) Suponha que a procura aumenta para \(Q_D' = 75 - 5P\). Descreva o processo de ajustamento e determine o novo equilíbrio de LP.
(c) Calcule o Excedente do Consumidor nos dois equilíbrios e comente o resultado.
Alínea (a): Equilíbrio LP inicial
\[CM_{LP} = \frac{CT_{LP}}{q} = q^2 - 6q + 12\]
Mínimo de \(CM_{LP}\): \(\displaystyle\frac{d\,CM_{LP}}{dq} = 2q - 6 = 0 \Rightarrow q^* = 3\)
\[P^* = CM_{LP}(3) = 9 - 18 + 12 = 3\]
Confirmação: \(Cmg_{LP}(q) = 3q^2 - 12q + 12 \Rightarrow Cmg_{LP}(3) = 27 - 36 + 12 = 3\) ✓
Quantidade de mercado: \(Q^* = Q_D(P^*) = 60 - 5 \times 3 = 45\)
Número de empresas: \(\displaystyle n^* = \frac{Q^*}{q^*} = \frac{45}{3} = \mathbf{15 \text{ empresas}}\)
Alínea (b): Choque na procura
A tecnologia não se altera → \(P^*\) mantém-se igual a 3 no novo equilíbrio LP.
Processo de ajustamento:
Novo equilíbrio LP:
\[Q'^* = Q_D'(P^*) = 75 - 5 \times 3 = 60\]
\[n'^* = \frac{60}{3} = \mathbf{20 \text{ empresas}}\]
Entraram 5 novas empresas; cada empresa continua a produzir \(q^* = 3\).
Alínea (c): Excedente do Consumidor
Da procura \(Q_D = 60 - 5P\): inversa \(P = 12 - \frac{Q}{5}\)
\(\Rightarrow\) preço máximo: \(P_{max} = 12\) (quando \(Q = 0\))
EC inicial (equilíbrio com \(P^* = 3\), \(Q^* = 45\)):
\[EC_0 = \frac{(12 - 3) \times 45}{2} = \frac{9 \times 45}{2} = \mathbf{202.5}\]
EC após choque (\(P^* = 3\) mantém-se, \(Q'^* = 60\)). A nova procura \(Q'_D = 75 - 5P\) tem preço máximo \(P'_{max} = 15\):
\[EC_1 = \frac{(15 - 3) \times 60}{2} = \frac{12 \times 60}{2} = \mathbf{360}\]
Comentário
O preço não se altera no LP (oferta horizontal), pelo que todo o benefício do aumento da procura é capturado pelos consumidores — o EC aumenta de 202.5 para 360. O excedente do produtor permanece nulo.
| Curto Prazo | Longo Prazo | |
|---|---|---|
| Número de empresas | Fixo | Variável (entrada/saída livre) |
| Condição de otimização | \(P = Cmg_{CP}\) | \(P = Cmg_{LP}\) |
| Lucro económico | Pode ser \(\neq 0\) | \(\Pi = 0\) |
| Preço de equilíbrio | Pode variar | \(P^* = CM_{LP,\min}\) |
| Curva de oferta | Crescente | Horizontal |
| Excedente do produtor | Positivo | Zero |
Mensagem-chave
A concorrência perfeita com livre entrada/saída é o único regime de mercado em que, a longo prazo, os consumidores capturam todo o excedente económico e os recursos são afetos à Escala Mínima Eficiente.